Muita gente pergunta quantas horas precisa estudar para evoluir.
Eu acho que a pergunta mais importante é outra: Como você está usando o tempo que tem?
Ao longo dos anos, estudando música e também ensinando, percebi que organização e disciplina fazem uma diferença enorme. Não se trata apenas de acumular horas de estudo, mas de saber exatamente o que você está tentando desenvolver em cada momento.
Quando comecei a estudar guitarra com mais seriedade, ainda muito jovem, eu já procurava professores diferentes e formas mais eficientes de aprender. Mais tarde, essa busca me levou à Berklee, onde tive contato com músicos e professores que tinham maneiras muito diferentes de pensar, estudar e ensinar música.
Uma das coisas que aprendi nesse processo é que estudo precisa ter propósito.
Não adianta ter o melhor professor, o melhor método ou acesso a uma quantidade enorme de informação se você não consegue transformar aquilo em prática. E informação demais, sem organização, também pode atrapalhar.
Hoje temos milhares de aulas, métodos, vídeos e cursos disponíveis a poucos cliques. Isso é uma oportunidade extraordinária, mas também pode criar uma armadilha: passar mais tempo procurando o que estudar do que efetivamente estudando.
Por isso, gosto de pensar o estudo como uma sequência:
1- Identificar o que você precisa desenvolver;
2- Escolher um caminho, praticar;
3- Avaliar o resultado;
4- Ajustar e seguir adiante.
E isso vale tanto para quem está começando quanto para músicos experientes.
Não existe uma quantidade mágica de horas. Há dias em que você terá mais tempo e outros em que terá menos. O importante é criar uma rotina que consiga sustentar.
Se você tem 30 minutos bem organizados todos os dias, com um objetivo claro, isso pode valer muito mais do que estudar várias horas sem direção uma vez por semana.
No fim das contas, não é apenas quanto tempo você estuda. É o que acontece com você durante esse tempo.
Quanto tempo você estuda por semana hoje? E como organiza esse tempo?
Depois de muitos anos tocando, dando aula e convivendo com músicos de estilos diferentes, cada vez acredito mais que repertório é uma das grandes escolas de um músico.
Uma música pode ensinar harmonia, ritmo, condução de vozes, improvisação, acompanhamento e interação com outros músicos.
Por isso, mais importante do que simplesmente acumular músicas é tentar entender o que cada uma delas está ensinando.
Na música brasileira temos um repertório riquíssimo para estudar tudo isso.
Eu escolheria "Desafinado" (de Tom Jobim e Newton Mendonça), porque nela encontramos vários elementos importantes para quem quer compreender melhor nossa linguagem musical.
Ao longo da minha formação percebi que estudar música envolve duas coisas que precisam caminhar juntas: formação estruturada e experiência prática.
O estudo formal ajuda a construir uma base sólida. Mas é tocando, errando, enfrentando situações reais e resolvendo problemas que a gente completa aquilo que nenhum método consegue prever totalmente.
Por isso, para quem tem pouco tempo, eu prefiro uma rotina simples e constante. Você pode dividir seu estudo em quatro partes:
1- Técnica
2- Leitura ou percepção
3- Harmonia/repertório
4- Tocar música de verdade
Não precisa passar o dia inteiro estudando. O mais importante é saber o que você está tentando melhorar naquele momento. Estudar sem objetivo pode virar apenas repetição.
Como está organizada a sua rotina de estudos hoje?
Minha própria história mostra que nem sempre a gente encontra, logo de início, o instrumento que vai nos acompanhar pela vida inteira.
Comecei pelo piano, depois passei pelo acordeão, que aprendi a tocar sozinho, e só mais tarde cheguei ao violão, o qual acabou se tornando o principal da minha vida profissional.
Por isso, se eu tivesse que dar um conselho para quem está escolhendo seu primeiro instrumento, diria: não pense apenas em marca, preço ou aparência. O mais importante é encontrar um instrumento que desperte em você a vontade de tocar.
É claro que é necessário verificar antes se o instrumento é confortável, se cabe no orçamento, se está bem regulado, se combina com o tipo de música que você gosta e, principalmente, se existe alguém que possa ajudá-lo nos primeiros passos.
Mas não é preciso ter tudo resolvido desde o começo.
Nem sempre o primeiro instrumento será o definitivo. Às vezes, ele é simplesmente a porta de entrada para uma descoberta maior e pode ser justamente ele que vai levar você até o instrumento certo.
Se você toca, estuda, ensina ou simplesmente ama música, este espaço é para você.
Aqui você pode falar sobre:
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- e tudo que ajude alguém a tocar, aprender ou entender melhor música.
Pode perguntar, compartilhar uma descoberta, mostrar um equipamento, indicar alguma coisa ou simplesmente trocar ideia com outros músicos.
Lembre-se: toda pergunta merece respeito. Todos somos, ou já fomos iniciantes um dia.



